Esplanada

“Por vezes é tão criminoso

não percebermos uma palavra,

uma jura, uma alegria.”

 

José Tolentino Mendonça, A noite abre meus olhos, Assírio & Alvim, 2006.

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Meninos de ninguém

Reconheci-o de imediato. Era um dos meninos de ninguém que eu tanto desejei que fossem de todos. Tinha 12 anos quando o conheci. Andava sempre com um miúdo dois anos mais velho. Passavam os dias a mendigar. Usavam uns mealheiros cilíndricos, coloridos. Escondiam-nos num buraco, cavado na relva, perto da Sé do Funchal.

Ainda me lembro do apartamento da família no Bairro das Malvinas. A sala era uma sucessão de colchões e um televisor. Naquele t4, moravam 17 pessoas. Dois irmãos estavam presos. Para a “pedincha” ainda saíam outros dois: um de 13 anos e outro de nove.

Nove anos mais tarde, ali estava ele, no pátio interior da ala k, no Estabelecimento Prisional do Funchal. Alertou logo o irmão mais novo e um outro antigo companheiro da “pedincha”. “Está aqui a jornalista que nos levou a jantar ao Galinha Dourada!”Ri-me. Andei tanto com aqueles miúdos que apanhei piolhos e o que lhe ficara fora a ida a uma churrasqueira.

Tomou corpo. É faxina do desporto. O técnico de reeducação elogia-lhe o sentido de justiça: “Ele sabe o que é certo e o que é errado, embora nem sempre use isso da melhor maneira.” Se um colega se alonga ao telefone, ele lembra-lhe que outros também querem falar.

Não se queixa do mundo murado em que vive. Tem voz. Tem função. Sente-se protegido. E depois? “Se você sabe que estive preso, fui toxicodependente, vai dar-me trabalho?” Fez esta pergunta, de várias formas, num debate que sucedeu a leitura de uma história infantil, fruto de uma parceria com a Biblioteca Pública Regional. Onde diabo estava a Justiça quando o único “crime” deste rapaz era ter nascido naquele família, naquele bairro?

Falhou o sistema de protecção de crianças e jovens em risco. Falhou o sistema de (re) educação de menores delinquentes. Sim, passou por vários centros educativos antes de cair ali. Esteve internado em Caxias, em Coimbra, na Guarda. Está bom de ver o que aconteceu.
“Roubos. Estrangeiros. Droga.”

P.S. Da outra vez, a história deu nome a um livro que tentou ser alerta. Agora, como então, queria esperança.

Ana Cristina Pereira

Diário de Notícias da Madeira

22 de Janeiro de 2012

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Uma estratégia nacional sobre comunidades desconhecidas

Portugal não sabe quantos ciganos acolhe, onde vivem, nem em que condições. Razões de sobra para estudiosos como Sérgio Aires, consultor da Rede Europeia Antipobreza, desconfiarem da Estratégia Nacional de Integração das Comunidades Ciganas, que está em discussão pública até dia 18. “Estamos a falar do que não sabemos. Os estudos que existem são residuais. Dão para fazer um diagnosticozinho. Precisávamos de conhecer a realidade antes de definir prioridades.”

O país não integra a variável “etnia” nos censos. Ciente da importância do diagnóstico, o gabinete do secretário de Estado adjunto do ministro dos Assuntos Parlamentares enviou um inquérito por questionário a todas as câmaras municipais a perguntar quantas famílias ciganas lá residem e qual a sua situação em matéria de habitação, saúde, educação e emprego. Só uma parte respondeu. Uma das prioridades da estratégia é fazer um estudo.

“Como é que se vai resolver este problema sem alterar a Constituição ou, pelo menos, fazer uma leitura diferente do que lá está?”, questiona Sérgio Aires. Não é só contar – é também aplicar a quem foi contado. A lei fundamental determina que “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever” em função da etnia.

O sociólogo já ouve os constitucionalistas a dizer que o documento viola a Constituição. “Nós, na Rede Europeia, achamos que se deve abrir uma discussão pública sobre este assunto. Só com discriminação positiva se pode contrariar a discriminação negativa que os ciganos sofrem desde que cá chegaram”, há 500 anos.

A iniciativa partiu de Bruxelas. No ano passado, o Parlamento Europeu instigou a Comissão Europeia e o Conselho da Europa a adoptarem uma estratégia para integrar os ciganos. E a Comissão pediu aos estados-membros para definirem estratégias nacionais com um horizonte temporal: 2020.

Não haverá, entre os activistas, quem não aplauda a existência de uma estratégia desta natureza. “Não temos voz activa. Não temos poder. Somos discriminados”, lamenta Dinis de Abreu, presidente da Associação Cigana de Leiria. Posto isso, quer-se que tal não seja um mero exercício, um plano sem concretização prática.

“Os prazos são muito grandes”, considera Bruno Gonçalves, vice-presidente do Centro de Estudos Ciganos. Veja-se, a título de exemplo, a educação: frequência do ensino pré-escolar de 100% das crianças; diminuição do abandono escolar em 20%; conclusão da escolaridade obrigatória para 60%; formação de 150 elementos das comunidades ciganas para intervir nas escolas – tudo até 2020. “Cria-se um vazio. Tem de haver prazos intermédios.”

Na opinião deste mediador cultural, “há muita coisa para melhorar” no documento que envolveu os ministérios que tutelam as áreas-chave. Desde logo, não se tem em conta a diversidade geográfica. Ora, o quotidiano das comunidades do Minho distingue-se do das da Beira Litoral ou do Alentejo.

Em diversas partes do país, nos últimos dias, reuniram-se activistas a preparar pareceres. De algumas ecoa um sentimento profundo: a etnia pesa muito pouco no grupo consultivo, pensado para melhorar a monitorização da estratégia e para acompanhar a situação socioeconómica das comunidades. Em 16 membros, prevê-se apenas dois representantes de associações de ciganos e esses serão designados pela alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI).

Bruno Gonçalves verbaliza o desconforto. Não percebe por que não são aqueles elementos escolhidos pelas próprias associações: “O ACIDI designa demasiado. Este processo diz respeito aos ciganos. Acho que devia ser um homem e uma mulher, um do Norte e outro do Sul”. “Se não se envolve as comunidades sobre as quais são feitas as coisas, é difícil ter sucesso”, achega Rei Neves, da Associação Social Recreativa e Cultural Cigana de Coimbra.

Rei Neves lamenta faltar incentivo ao associativismo. Algo que lhe parece fundamental para a comunidade ganhar mais “sentido de cidadania, de pertença”. Seria necessário envolver também a sociedade maioritária.

“Para uma estratégia destas funcionar era preciso um caldo cultural que não existe”, adverte Sérgio Aires. “Há muitos estereótipos.” Para o perceber basta cada um perguntar-se: se aparecessem um cigano e um não cigano com igual currículo, a quem dava emprego? Em compensação, fala-se muito em mediação cultural. Pega-se no projecto-piloto Mediadores Municipais, que foi lançado em Abril de 2009 e está a funcionar em 15 câmaras. O objectivo é ter mediadores em 50 concelhos até 2020. Bruno Gonçalves, que foi colocado em Coimbra, aponta um problema prévio: “Não consigo ver onde está o estatuto de carreira de mediador”.

Ana Cristina Pereira

Público

15/01/12

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Será por acaso?

Há uns dias, ia a passar na rua, vi isto:

 

 

 

 

 

Ontem, uma amiga mandou-me isto:

“Privatize-se Manchu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a
Capela Sistina, privatize-se o Partenon, privatize-se o Nuno Gonçalves,
privatize-se a catedral de Chartres, privatize-se o “Descimento da Cruz”
de António da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago
de Compostela, privatize-se a cordilheira dos Andes, privatize-se tudo,
privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a
justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho,
sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e
remate de tanto privatizar, privatizem-se osEstados, entregue-se por uma
vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso
internacional. Aí se encontra a salvaçãodo mundo… e, já agora,
privatize-se também a **** que os pariu a todos.»

[José Saramago - Cadernos de Lanzarote, Diário III, p. 148]

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Manuela está a perder a esperança

Manuela Almeida traçou objectivos para 2012, como tanta gente que com ela se cruza nas ruas do Porto: “Ter saúde, arranjar trabalho, recuperar a independência”. Não parece depositar confiança na realidade. Chama-lhes “utopias”. “O desemprego é como um cancro. A gente sabe que o tem, não sabe se o vai vencer.”

Custa-lhe cada vez mais entrar no site do Instituto de Emprego e Formação Profissional e não encontrar um único lugar no qual se possa encaixar. “Não sou cozinheira, electricista, informática.” Da última vez que se deslocou aos serviços, a técnica que a atendeu perguntou-lhe, “toda catedrática”: “Por que não vai tomar conta de velhotes? Se estivesse na sua situação, era o que eu fazia”. A mulher, de 49 anos, engoliu em seco e, sem perder a compostura, respondeu: “Sabe que é preciso um curso de geriatria?”.

Nem para empregada doméstica têm aparecido ofertas de emprego. A classe média está a livrar-se dos seus pequenos luxos. A antiga administrativa já tentou. Nunca mais se esqueceu de um anúncio que pedia espanhol escrito e falado.

Continua a vasculhar na Internet. Passa as páginas de classificados a pente fino em busca de alguma oportunidade. “Já falo sozinha com o computador. É para não enferrujar a língua.”

Muitas das medidas de austeridade entram em vigor no ano que agora desponta. Manuela continuará isenta de taxas moderadoras na saúde, como qualquer desempregado com rendimento inferior ao salário mínimo nacional. O que mais a inquieta é a subida do IVA nos bens de primeira necessidade.

O ano ainda não mudou e já se aflige. Ainda na véspera se afligira ao ir ao supermercado comprar pensos higiénicos, leite e fruta. “Nem comprei iogurtes. Já não posso comprar iogurtes. Um frango dá para seis vezes. Já não me lembro do que é comer uma dourada. Não posso comer só batatas ou arroz. Santa paciência!”

Esta pobreza torna-a desconfiada. Um exemplo? Há uns dias, entrou num estabelecimento. “Boa tarde, dona. O que quer?”, perguntou-lhe a empregada. E Manuela, que entrara só para ver, sentiu-se ofendida. Era como se aquela mulher, ao fazer aquela pergunta naquele tom, lhe dissesse que não devia estar ali.

O Natal aproximava-se. Bacalhau e azeite era luxo que não lhe assistia, mas não era isso que lhe carregava os olhos de tristeza. “Não me incomoda não ter prendas ou dinheiro para comprar prendas ou roupa. Incomoda-me não ver perspectivas de futuro, ver em cada notícia o prenúncio do fim da esperança.”

Ana Cristina Pereira

Público

31/11/11

 

Projecto Um ano na crise: http://static.publico.pt/cincofamilias

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Para 2012

Desejo a vocês
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com os amigos
Viver sem inimigos
Filme na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Ouvir uma palavra amável
Ver a banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir não
Nem nunca, nem jamais
Nem adeus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de amor
Tomar banho de cachoeira
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas com alegria
Uma tarde amena
Calçar um chinelo velho
Tocar violão para alguém
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu

Carlos Drummond de Andrade

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Sem missa às cinco

Aterrei [na Madeira] desejosa de uma cantoria como a de há dois anos. Lembro-me de ensaiar numa adega, no final do sítio da Achada dos Judeus. A vizinhança estava impressionada com a amiga suíça que eu trouxera: cantava (português) como um rouxinol. De madrugada, lá entrámos na igreja. “Ai, como é lindo no colo da mãe, tão pobrezinho nasceu em Belém.”

Por causa da muita idade e do que ela traz, este ano o senhor padre Teixeira negou-se a celebrar missa às cinco da manhã. E o “nosso” acordeonista recusou-se a compactuar com uma Missa do Galo marcada para as dez e meia da noite. Não quis vestir a pele de um pastorinho que vai adorar o Menino quando o Menino ainda nem sequer nasceu. Quem o pode recriminar?

Raios partam a falta de vocações. Nunca pensei dizer isto, mas, sim, raios partam. Está a minar os nossos costumes. Como é que se dá a volta a isto? Alguém quer criar um grupo no Facebook?

Quando era miúda, despertava às quatro da manhã e corria para a lareira, em busca da prenda “do Menino”. Andávamos um quilómetro até à Igreja dos Lameiros, a tentar escapar às bombas que os rapazes mais endiabrados atiravam para as pernas de quem ia para a missa.

Depois cresci e comecei a fazer coisas de gente crescida. Naquela noite, gente crescida e não envelhecida não ia à cama. Depois do jantar, descia até à vila [de São Vicente] e reencontrava amigos de infância no [Pub] Corvo, no Ferro Velho ou no Silvestre. Às quatro e tal da manhã, subia até aos Lameiros. A festa acabava já dia, com tocadores rodeados de alegres paroquianos, em frente à Taberna Neves. No regresso a casa, era ver fumegar as casas de quem preparava um substancial pequeno-almoço – pão de batata-doce e carne de vinho d’alhos.

Para mim, a noite de Natal era uma festa comunitária. O dia de Natal é que era uma festa de família. E São Vicente tinha o melhor Natal do mundo. E agora? É véspera de Natal e a minha irmã anda para ali, na cozinha, à volta de um peru de oito quilos com recheio de castanhas e bacon. Mesmo sem missa às cinco da manhã, logo à noite havemos de rever familiares e amigos.

Ana Cristina Pereira

Diário de Notícias da Madeira

Especial Natal de 2011

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Lentes

“Uma viagem pelo mundo é, de facto, uma viagem de uma província para outra, sendo cada uma destas províncias uma estrela solitária que brilha apenas para si própria. Para a maioria das pessoas que lá vivem, o mundo real termina na soleira da sua porta, no limite da sua aldeia, na melhor das hipóteses na fronteira do seu vale. O mundo que fica para além disso parece-lhe irreal, sem importância e desnecessário, enquanto o pequeno mundo em que vivem assume proporções de cosmos, gigantesco e ofuscante. Muitas vezes é difícil para o indígena e o forasteiro encontrarem uma linguagem comum, porque cada um utiliza uma lente diferente ao contemplar o mesmo panorama. O forasteiro recorre a uma lente de grande alcance, que dá uma imagem distante e redutora, mas que, em compensação, mostra claramente a linha do horizonte, enquanto o seu interlocutor indígena usa sistematicamente uma teleobjectiva ou mesmo um telescópio, que amplia tudo até o mais ínfimo pormenor.”

Ryszard Kapuscinski
“ ÉBANO Febre Africana”

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À conversa com os reclusos do Vale do Sousa

Estive lá com o grande Adriano Miranda a tentar perceber a serventia dos livros. Ninguém me surpreendeu tanto como Luís Villas-Boas, antigo carpinteiro convertido em bibliotecário. Apaixonou-se pelos livros. Sonha abrir um café-biblioteca – não confundir com café-livraria.

 Esta segunda-feira, os papéis invertem-se. Em vez de fazer perguntas aos reclusos, respondo às perguntas dos reclusos. Uma manhã inteirinha na biblioteca do Estabelecimento Prisional Regional de Vale do Sousa tendo por mote os livros “Meninos de Ninguém” e “Viagens Brancas”, que muitos dos que frequentam aquele lugar têm andado a ler.

acpereira

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40 razões para se casar com um jornalista

Importado do Blogue a Devida Comédia, 40 razões sugeridas pela brasileira Ariane Fonseca.

1.Jornalista geralmente é criativo, ele vai surpreender você quando menos esperar;
2.São curiosos e antenados, você sempre ficará por dentro de tudo que acontece;
3.Eles não ganham bem, mas isso é bom porque vocês podem aprender a economizar dinheiro;
4.No Natal, Ano Novo, Carnaval… eles provavelmente estarão na redação. Mas, pense pelo lado positivo: antes trabalhando do que vagabundando;
5.E outra! Trabalhando muito, eles não têm tempo de se interessar por outra pessoa;
6.Eles não são bons de matemática, mal sabem somar e subtrair; mas, para que saber isso se são os mestres da escrita?;
7.Acostumados com pautas, são bem organizados e planejam bem as coisas antes de fazê-las;
8.Como é fissurado por fontes, quando você tiver uma ótima ideia, ele não vai dizer aos amigos que foi coisa da cabeça dele. Dará todas as honras para você!;
9.Como vivem numa rotina corrida, não tem muito tempo para opinar nas coisas da casa. O que você fizer, ele vai achar lindo;
10.Tudo é um grande brainstorm (tempestade de ideias). Monotonia não vai entrar na sua casa!;
11.Quando vocês brigarem, ele não vai achar que a opinião dele é a melhor. Tem que ouvir todos os lados de um fato, ele saberá analisar a situação!;
12.Em coberturas de grandes eventos, você poderá entrar de gaiato. Cada final de semana em um lugar diferente: jogos de futebol, avenida de escola de samba, lançamento de livros…;
13.Mantêm revistas e jornais no banheiro. Você nunca ficará olhando para o vácuo enquanto faz suas necessidades fisiológicas. Ganhará conhecimento!;
14.Idolatram pessoas totalmente desconhecidas (o seu Zé, a Dona Maria, o Juquinha…) Todos com ótimas histórias de vida que vocês podem usar no cotidiano também para se tornarem pessoas melhores!;
15.Não vai faltar café na sua casa. Café e jornalista são praticamente sinônimos;
16.Ele pode escrever os votos matrimoniais da sua irmã, criar o conteúdo do site de negócios do seu pai, ensinar sua mãe a tirar fotos das amigas nos eventos do bairro. Ele aprende de tudo um pouco e gosta de compartilhar!;
17. Tudo para o jornalista tem uma explicação. Eles nunca vão se contentar com a primeira versão de um fato. Você sempre terá uma resposta, mesmo que demore;
18.São ótimos investigadores. Se alguém no trabalho passar a perna em você, rapidinho ele descobre quem é!;
19.Como trabalham muito, não tem tempo para beber demais, fumar, se envolver com drogas… Você terá um companheiro saudável!;
20.Tá bom, vai… eles não costumam comer coisas muito saudáveis. Mas se você for legal e fizer comida para ele levar ao trabalho, isso se resolve rapidinho, não é? =);
21.Suas viagens nunca serão monótonas! Se acontecer qualquer movimento estranho, ele vai logo querer saber o que é e infiltrará você junto para desvendar o problema;
22.Amam roupas leves e simples no dia a dia. Você não vai gastar muito dinheiro com isso;
23.Mas também sabem se arrumar bonitinhos para os eventos. Você terá um parceiro que sabe ser simples, mas também sabe arrasar. Tudo vai depender da ocasião;
24.A agenda é o seu melhor amigo. Mas, não fique com ciúmes! Pense pelo lado positivo, nunca vai esquecer nenhuma data importante, porque tudo fica rigorosamente descrito lá;
25.Eles não ficam irritados com “nãos”, afinal, estão acostumados com assessorias de imprensa que não querem divulgar os bafões. Você não terá um companheiro irritado, mas, em compensação ele não vai desistir até conseguir o que quer. Mas só de não ser grosso já vale, não é!?;
26.Como são antenados, também sempre ficam sabendo das novidades tecnológicas primeiro. Às vezes, até ganham de presente para testar a ferramenta. Você terá tudo em primeira mão na sua casa;
27.Eles não se importam com calor, chuva, trovões… afinal, precisam estar onde a notícia está! Você poderá ir na praia com 50 graus tranqüila ou aquela viagem dos sonhos pode se tornar um pesadelo no caos de São Paulo que ele não vai blasfemar. Ainda vai dar risada da situação;
28.Acham que podem salvar o mundo com uma matéria. Olha que sensibilidade!;
29.Eles sempre sabem tudo todo o tempo;
30.Gostam de música para acalmar;
31.Leem livros raros, histórias para crianças e semiótica… Seus filhos serão super dotados se depender dele;
32.Sua vida social é infinitamente grande. Você nunca poderá reclamar que não conhece gente nova;
33.Eles estão acostumados com coisas chatas e sabem contorná-las muito bem. O casamento nunca vai virar algo monótono;
34.Eles gostam de camisas com estampas de alguma brincadeira sobre algo atual. Suas amigas vão ficar com inveja do seu companheiro inteligente;
35.Eles sempre têm uma opinião sobre qualquer coisa na face da Terra. Durante uma conversa entre amigos, vocês nunca ficarão apagados;
36. A maioria gosta de virar psicólogo, técnico de futebol e médico às vezes. Você terá um companheiro mil e uma utilidades;
37.Por causa da profissão, são forçados a aprender mais de um idioma. Você vai ouvir “Eu te amo” em, pelo menos, umas três línguas diferentes;
38.A primeira coisa que seu filho vai aprender é que a informação é a alma do negócio. Com dois anos, sua fofurinha vai saber o que é aquecimento global, mercado financeiro e já saberá criticar políticos;
39.Gostam de mudar de cidade, estado e até de país. Você conhecerá muitos lugares!;
40.Assistem documentários e vão a museus o tempo todo, não importa o que seja. Ô cultura!

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Abaixo-assinado EM DEFESA DO PÚBLICO, EM NOME DO JORNALISMO

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N17936

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Viagens Brancas em Coimbra

ESECTV no espaço UNIVERSIDADES da RTP2
Emissão: 7 de Dezembro de 2011 na RTP2

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Beneficiários de RSI vão ter de assinar contrato prévio

As regras de acesso ao rendimento social de inserção (RSI) mudam em 2012. Palavra do ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares: “Só faz sentido atribuir esta prestação a partir do momento em que todo o processo esteja instruído. Queremos que a atribuição seja feita [quando] é assinado um contrato de inserção e os beneficiários se comprometem, perante o Estado, a cumprir um conjunto de obrigações.”

“Vai-se protelar o deferimento dos processos”, prevê Eduardo Vítor Rodrigues, professor da Universidade do Porto. Sem reforço de técnicos, a delonga dependerá do volume de trabalho em cada zona. “Muita gente vai precisar de RSI e vai ficar quatro, cinco, seis meses ou mais à espera”, avisa também Fernando Diogo, da Universidade dos Açores.

Por ora, um candidato preenche cinco formulários e apresenta uma mão-cheia de documentos na Segurança Social, como caderneta predial e autorização para acesso a informação bancária. Um técnico analisa o processo. Havendo “carência económica grave”, aprova-o. Só depois será atribuído a um gestor, que contratualizará o acordo de inserção.

Cada programa deve ser discutido numa reunião do núcleo local de inserção (NLI) – no qual estão representados o centro de emprego e as estruturas regionais de Saúde, Educação e Segurança Social. “Reduzir a décalage entre a entrega do requerimento e a resposta tem sido uma preocupação”, lembra Fernando Diogo. Houve também orientações precisas, no tempo de José Sócrates, para aumentar os acordos de inserção assinados.

O atraso recuperou-se. Em Junho, 321.900 beneficiários tinham acordos de inserção – 87 mil frequentavam acções que visam promover o emprego, segundo o último balanço da Comissão Nacional do RSI, que o Governo quer extinguir.

Por lei, o beneficiário deve participar nas reuniões em que o NLI discute o seu caso. Se faltar sem motivo, deduz-se que recusou o acordo e corta-se-lhe o RSI. Na prática, só é convocado, se estiver em jogo uma acção de emprego ou formação. O mais comum é o gestor levar o processo ao NLI e depois chamar o beneficiário para assinar o acordo.

Os estudos de Fernando Diogo mostram que “a maior parte” dos beneficiários nem sabe o que é um acordo de inserção. Há perto de dez anos, deparou-se com 79% nessa situação. E não acredita que a realidade se tenha alterado deste então.

O investigador aponta uma diferença de base. O Estado espera que o RSI promova “autonomia pelo rendimento”. Só que grande parte da população abrangida é menor ou idosa e alguma da que está em idade activa tem trabalho. Os beneficiários tendem a encarar esta medida como “uma ajuda”, um apoio à sobrevivência – renda, comida, medicamentos.

Acontece as pessoas deixarem de estar em carência económica grave. Voltaram à medida uma em cada quatro das que, por essa razão, deixaram de receber RSI – um total de 162 mil “repetentes” desde que, em 2003, o RSI substituiu o rendimento mínimo garantido.

Para já, Mota Soares não adianta detalhes, mas já disse que está apostado em aumentar a fiscalização e apertar as regras. Quem está em idade activa já tem de estar inscrito no centro de emprego. Agora, terá não só de aceitar propostas de formação, trabalho socialmente necessário ou emprego, mas também de fazer prova de “procurar activamente trabalho”. E o Governo estuda formas de “consagrar limites mais apertados à renovação” do RSI.

Na opinião de Eduardo Vítor Rodrigues, isto é uma forma de “pôr os mais pobres em lay-off”. Por um lado, demorarão mais a entrar na medida. Por outro, terão mais dificuldades em manter-se nela.

Ana Cristina Pereira

Público

12/12/11

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Domingo à tarde

Estar frio lá fora e ficar cá dentro, quentinha, a ler “Lúcio Feteira – a história desconhecida”, o novo livro de Miguel Carvalho. O grande repórter da Visão apresenta-o como “um livro que conta a história de um país através de um homem fascinante”. E eu, enquanto leitora e enquanto jornalista, só lhe posso agradecer por elevar a profissão com mais esta empreitada.

acpereira

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Mulheres da Guiné – XVI

A bideira M’Bom João Longa despacha tainha no mercado de Bandim/Ana Cristina Pereira

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Mulheres Guiné-Bissau- XV

Sábado Vaz, da Tiniguena – esta terra é nossa, coordena um projecto de conservação na área marinha comunitária das Ilhas Urok/Ana Cristina Pereira.

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Estilhaços do tempo

“Ainda não sei se foram os soldados que se juntaram todos e abandonaram o quartel ou se foi ordem dada pelo comandante-chefe, mas uma coisa é certa: GUILEDJE ESTÁ À MERCÊ ‘DELES’.”

José Casimiro Carvalho não estava. Tinha ido coordenar uma operação de reabastecimento da companhia. Guiledje era o fim do mundo. Os mantimentos vinham em batelões de Bissau até Cacine. Seguiam em lanchas de desembarque médias até Gadamael. E por coluna até ali.

A situação tornara-se insuportável. Durante três dias, o aquartelamento fora bombardeado 37 vezes. Sobre ele tinham caído 795 granadas. A cozinha fora destruída e a tropa estava impedida de formar coluna para ir buscar água. Já não tinha água e já só podia comer rações de combate.

Guiledje dista três quilómetros da fronteira com a Guiné-Conacry. O exército assentara arraiais em 1964. Tentava impedir a entrada de armamento e de víveres para o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, via “corredor da morte” ou “caminho di povo”, consoante o lado da luta.

Agora, só se pode imaginar a rede dupla de arame farpado, as trincheiras a céu aberto, as trincheiras subterrâneas, o morteiro, as messes, os quartos, o posto de rádio, o posto de socorro, a arrecadação, a cantina, a cozinha… Depois da retirada de militares e civis, António de Spínola, então governador militar da Guiné, mandou bombardear o que restava.

Há uma maqueta no Núcleo Museológico de Guiledje. O lugar está a ser recuperado, muito por força da Associação para o Desenvolvimento. Para já, apenas uma sala com isso e com utensílios e textos de época. Visitam-na antigos combatentes e familiares. Às vezes, aparecem filhos ou netos de militares já mortos, à procura de pistas de um passado silenciado.

Foi lá que li a carta que Casimiro escreveu aos pais sobre a retirada de 1973. E um impressionante depoimento de João Tunes, importado do blogue Bota Acima: “Enclausurados dentro do quartel, morteirada todos os dias, com baixas quando iam buscar água a um quilómetro, comendo com uma perna fora da mesa para se atirarem para uma vala quando a primeira granada caísse, os militares de Guiledje sentiam-se mais perto de outra vida que da vida vivida. Os que não estavam malucos por lá andavam perto”.

Impossível não ficar a pensar no que terá passado o meu pai durante a guerra colonial. Não combateu na Guiné-Bissau. Combateu em Moçambique, mas enquanto lá estive ligou-me várias vezes, inquieto. Suponho que para ele Guiné ainda é sinónimo de inferno.

A guerra colonial começou há 50 anos. Oficialmente, acabou há 37. Em quantas cabeças ainda ecoa?

Ana Cristina Pereira

Diário de Notícias – Madeira

27 de Novembro de 2011

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Mulheres da Guiné-Bissau – XIV

Maimuna Cassamá, animadora da Acção para o Desenvolvimento, está a ensinar a fazer sal solar em Guiledge/Ana Cristina Pereira

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Mulheres da Guiné-Bissau XIII

Milza Narqui está a ajudar a salvar a biodiversidade dos Bijagós: coordena um projecto da Noé Conservation no Parque Nacional de Orango/Ana Cristina Pereira

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Mulheres da Guiné-Bissau – XII

Alice Mané, mais conhecida por Néné, é secretária executiva da organização não-governamental RA – Rede Ajuda, Cooperação e Desenvolvimento/Ana Cristina Pereira.

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