Há uns dias, ia a passar na rua, vi isto:
Ontem, uma amiga mandou-me isto:
“Privatize-se Manchu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a
Capela Sistina, privatize-se o Partenon, privatize-se o Nuno Gonçalves,
privatize-se a catedral de Chartres, privatize-se o “Descimento da Cruz”
de António da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago
de Compostela, privatize-se a cordilheira dos Andes, privatize-se tudo,
privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a
justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho,
sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e
remate de tanto privatizar, privatizem-se osEstados, entregue-se por uma
vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso
internacional. Aí se encontra a salvaçãodo mundo… e, já agora,
privatize-se também a **** que os pariu a todos.»
[José Saramago - Cadernos de Lanzarote, Diário III, p. 148]
![fotografia[1]](http://meninosdeninguem.files.wordpress.com/2012/01/fotografia1.jpg?w=300&h=224)